BE questiona Governo sobre critérios de nomeação para administração da TAP

Ainda que, por regra, não preste declarações públicas, o negociador da reversão da privatização da TAP - que permitiu ao Estado passar a ter 50% da companhia área - fez questão de salientar que não ao líder da oposição, não deixando de defender aquilo que designa por "muito orgulho" no papel que teve na "salvaguarda do interesse público" na reversão da privatização da TAP.

"Isto é uma pouca vergonha, não tem outra classificação". Passos Coelho disse que a ida de Lacerda Machado para a TAP era "uma pouca-vergonha" e que a nomeação ficava "tão mal a quem nomeia como a quem aceita". "Tenho-imenso-orgulho">recusou comentar diretamente as declarações de Pedro Passos Coelho, que classificou a nomeação do advogado como uma "pouca vergonha" e uma "nódoa" no currículo do Governo. "Não respondo ao líder da Oposição, por quem tenho respeito".

À Renascença, Pedro Mota Soares, do CDS, prefere não "fulanizar a questão", apelando a que o Governo divulgue os documentos que sustentam a escolha dos novos administradores da TAP, "depois de toda a opacidade" em torno deste processo. A forma de privatização seria realizada com a venda directa de 66% do capital da companhia aérea - sendo 61% da venda a investidores directos; 5% para os trabalhadores da TAP SGPS; os restantes 34% ficariam na posse do Governo durante dois anos.

A escolha de Lacerda Machado não evidencia "qualquer conflito de interesses", tanto mais que o advogado "nem sequer está a ser nomeado pelos [accionistas] privados", destacou ainda o governante.


Além de Lacerda Machado, o Estado indicou os nomes de Miguel Frasquilho para chairman da transportadora, de Ana Pinho para o cargo de vogal, e de Esmeralda Dourado, Bernardo Trindade e António Gomes de Menezes para administradores não-executivos.

A verificarem-se estas três nomeações, fica completa a equipa que presentará o Estado na transportadora aérea TAP, que Luís Marques Mendes considera ser "uma equipa relativamente equilibrada".

Em declarações à agência Lusa, o ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, considerou que Diogo Lacerda Machado "já deu provas de saber negociar vários dossiês complexos, mas sobretudo saber interpretar bem os interesses públicos", afirmando que "pouca vergonha é Passos Coelho nunca ter explicado aos portugueses porque é que privatizou a TAP pela calada da noite e já com o seu Governo demitido".

"Os nomes indicados para a TAP, onde se inclui Miguel Frasquilho, quadro do PSD que esteve ligado ao BES e à política de privatizações de anteriores governos, e de Lacerda Machado ligado a discutíveis opções de gestão da TAP, entre outros, merece crítica do PCP", referem os comunistas numa nota divulgada hoje. Amiga de Rui Moreira, que tem sido uma das vozes mais críticas da estratégia da TAP.


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