Exército desconhece relatório militar que critica ministro e chefe do ramo

À margem da "Festa do Outono" em Serralves, no Porto, o Presidente da República respondia assim ao notícia de um "relatório das secretas sobre Tancos" que "arrasa ministro e militares", avançada este sábado pelo semanário Expresso. "Sei que não é de nenhum organismo oficial do Estado português", disse António Costa, em declarações à RTP em Almancil, no concelho de Loulé, à margem de uma iniciativa de apoio aos candidatos locais nas autárquicas de outubro.

O ministro da Defesa admitiu este domingo que o noticiado relatório dos serviços de informações militares sobre o furto de armamento da base de Tancos tenha sido fabricado e que possam existir "objetivos políticos" na sua divulgação.

Classificando o caso de "extrema gravidade" e notando que deve ser "investigado e definidas todas as consequências", o relatório aponta a actuação do ministro da Defesa, Azeredo Lopes, como de uma "arrogância quase cínica" e de "ligeireza, quase imprudente".

Na terça-feira, ouvido num debate de atualidade na Assembleia da República sobre o caso do material militar de Tancos, o ministro da Defesa revelou que foram abertos três processos disciplinares no Exército e que no dia 14 começou o esvaziamento dos paióis, com a colaboração da Polícia de Segurança Pública (PSP) e da Guarda Nacional Republicana (GNR).

António Costa lembrou os desmentidos do Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas e do secretário-geral dos serviços de informação, que garantiram que o documento não era autêntico e diz que o que pode sair "fragilizado é a credibilidade da informação e a credibilidade daqueles que comentam noticias sem se darem ao cuidado de confirmarem a autenticidade", em referência aos comentários de Pedro Passos Coelho sobre o tema. "Receio muito que estejamos a falar sobre algo fabricado e não sobre um documento autêntico".

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, insistiu este sábado que é necessário esclarecer o que se passou com o furto de armas em Tancos, nomeadamente "se houve ou não atuação criminal, em que é que se traduziu e quem são os responsáveis".

O jornal sublinha que o "o documento existe e é verdadeiro".


Popular

CONNECT