Alemanha: Extrema direita entra para o parlamento

A Alemanha assistiu ontem ao pior resultado combinado dos dois principais partidos, a CDU/CSU e o SPD, desde a Guerra.

Angela Merkel, favorita nas eleições legislativas de domingo, e seu adversário social-democrata Martin Schulz tentam nesta sexta-feira (22/9) mobilizar suas tropas e atrair os indecisos em um fim de campanha marcado pela ascensão da direita nacionalista. Se o partido, na sua primeira versão eurocética, quase entrou no Bundestag, em 2013, este domingo quebrou todas as expectativas ao vencer quase 13%, o que fará dele não só o terceiro partido com maior representação parlamentar, mas também uma presença mais ou menos duradoura na paisagem política alemã - os fundos estatais a que pode ter agora acesso só o vão facilitar.

Quais opções estão na mesa para formar o novo Governo? "O CDU esperava resultados melhores, mas não vamos esquecer, diante do desafio extraordinário, que nós atingimos nossos objetivos estratégicos: nós somos o partido mais forte", argumentou, prometendo: "Nós temos o mandato para formar o novo governo e nós vamos formar o novo governo". Não quero fazer rodeios: "erramos nosso alvo e perdemos a eleição", disse o líder do SPD, Martin Schulz, "claramente não conseguimos manter e expandir nossa base tradicional de eleitores".

As novas cores da próxima coligação? O partido conseguiu apoio de pessoas que anteriormente já tinham votado no bloco conservador da chanceler Angela Merkel e inclusive de pessoas que não tinham votado anteriormente. Sem qualquer ligação ao Die Linke, resta à CDU apontar à 'Jamaica': uma coligação do negro (é mais cinzento escuro) da CDU com o amarelo dos liberais e o verde dos... Em números, isso significa apenas 31% de apoio entre os seguidores do CDU/CSU; 42% dos seguidores FDP e 38% entre os fãs do partido ecologista Os Verdes. Apesar de Schulz ter atacado duramente Merkel com questões sobre imigração e relações com a Turquia, a atual chanceler se saiu melhor no debate. Mais de um terço dos eleitores, 22 milhões, tem mais de 60 anos. Acrescentou tratar-se "da estabilidade da República Federal Alemanha num momento difícil".

A entrada da AfD no parlamento alemão, além de revelar a subida do apoio às ideias de extrema-direita, permitirá à AfD consolidar a nível nacional o seu projeto ao longo dos próximos anos, já que receberá, tal como os restantes partidos com assento parlamentar, apoios financeiros do Estado alemão.

"Vamos caçar o governo".

"Este é um grande dia para a história do nosso partido político, nós vamos entrar no Parlamento pela primeira vez e vamos mudar este país", disse Alexander Gauland, do AfD. Porém, se um partido conquista mais regionais do que nacionais, pode terminar com mais vagas no Parlamento.

O avanço da extrema-direita, muito popular na antiga Alemanha Oriental, representaria um verdadeiro terremoto para um país cuja identidade desde o fim da Segunda Guerra Mundial foi construída sobre o arrependimento pelo nazismo e a rejeição ao extremismo.


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