Na ONU, Coreia do Norte classifica Trump de megalômano e "rei mentiroso"

Em um raro diálogo com a imprensa em Nova York, o ministro norte-coreano de Relações Exteriores, Ri Yong Ho, alegou que seu país "tem o direito de se defender", pois a declaração de Trump de que os EUA estão prontos para "destruir" Pyongyang foram uma "declaração de guerra" diante de todo o mundo. "Oferecemos ao presidente todas as alternativas necessárias se as provocações de Pyongyang continuarem", comentou o porta-voz do Pentágono, coronel Robert Manning. "Se a Coreia do Norte não encerrar suas ações provocativas, ofereceremos ao presidente opções para esse país", continuou.

Em seu primeiro discurso à Assembleia Geral das Nações Unidas, Trump ameaçou "destruir totalmente" a Coreia do Norte, se necessário, ao mesmo tempo em que emitiu avisos à Venezuela e ao Irã.

"Como os Estados Unidos declararam guerra ao nosso país, teremos todo o direito de adotar contramedidas, incluindo o direito de abater bombardeiros estratégicos dos Estados Unidos mesmo se não estiverem dentro da fronteira do espaço aéreo do nosso país", afirmou Ri.

Declarações inflamadas podem levar a mal-entendidos fatais.

O porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, reconheceu nesta segunda o complicado ambiente. "A única solução é política", afirmou.

Em meio ao cenário de agressões entre os dois países, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, criticou a postura dos líderes, que classificou como "uma briga entre crianças de jardim da infância".

De acordo com o Pentágono, o voo das aeronaves americanas aconteceu depois de dias de retórica cada vez mais belicosa entre Trump e o regime do líder norte-coreano Kim Jong-un, em meio à preocupação internacional sobre as ambições nucleares de Pyongyang.

Washington anunciou novas sanções econômicas unilaterais em 21 de setembro. No sábado, o chanceler afirmou no seu discurso que as declarações agressivas de Trump contra o seu país tornaval inevitável para a Coreia do Norte atingir o território americano com mísseis balísticos intercontinentais, que o regime vem desenvolvendo, numa crescente e alarmante ameaça aos Estados Unidos. "A pergunta de quem vai durar mais (no poder) logo terá uma resposta", acrescentou. Na semana passada, Pequim restringiu o acesso norte-coreano ao mercado financeiro e ao petróleo chineses.

"Seria uma manifestação chocante de irresponsabilidade no âmbito da saúde, estabilidade e de não-proliferação", disse nesta segunda o secretário de Defesa americano, Jim Mattis.


Popular

CONNECT