Moro manda Lula esclarecer se tem originais de recibos de aluguel

Segundo investigações dos procuradores do Ministério Público Federal (MPF), a empreiteira Odebrecht custeou a compra do empreendimento que ficou no nome de Glaucos Costamarques, coincidentemente ou não, o engenheiro é primo de um dos amigos do ex-presidente, José Carlos Bumlai. O imóvel é vizinho ao que mora o petista e um dos pivôs de ação penal na qual Lula é réu por corrupção e lavagem de dinheiro na Operação Lava Jato. O valor do terreno foi avaliado em R$ 12,5 milhões.

No dia 25 de setembro, a defesa do ex-presidente apresentou documentos que contestam a versão dos procuradores. Depois que deixou o cargo, Lula decidiu assumir a locação do imóvel, que tinha como locatária a ex-primeira dama Marisa Letícia, morta em fevereiro. No entanto, dois desses recibos apresentaram datas inexistentes no calendário, fazendo com a Justiça averiguasse profundamente e desconfiasse das provas do ex-presidente.

"Junte-se cópia desta decisão nos autos da ação penal para ciência das demais partes que, querendo, poderão ingressar neste feito igualmente em cinco dias, apresentando suas manifestações e eventuais requerimentos probatórios", determinou o magistrado.


No documento, o Ministério Público Federal no Paraná pede que os recibos passem por perícia grafoscópica e que Glaucos da Costamarques, dono do imóvel, e o técnico em contabilidade João Muniz Leite, responsável pelos recibos, prestem depoimento.

"Os supostos 26 recibos referentes à locação do apartamento 121 apresentados pela defesa de Luiz Inácio Lula da Silva têm origem desconhecida, não trazem nenhuma comprovação a respeito da data em que foram produzidos e encontram-se em manifesta contrariedade com todo o acervo probatório, e, destacadamente, com o quanto declarou em interrogatório judicial o próprio Glaucos da Costamarques, apontado como autor daquelas declarações unilaterais de quitação", diz trecho do pedido. Já os advogados de Lula ressaltaram que a perícia vai atestar a autenticidade dos recibos. Também cita que deverá ser "esclarecido expressamente" que os originais existem e deverão ser depositados em secretaria.


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