EUA querem que seja respeitada soberania do Líbano

Saad al-Hariri alertou no domingo que o Líbano corre risco de sofrer sanções de países do Golfo Pérsico devido à interferência do grupo xiita Hezbollah na região, e disse que voltará ao Líbano dentro de dias para confirmar que renunciou ao cargo de primeiro-ministro do país.

Saad Hariri demitiu-se no sábado inesperadamente quando se encontrava de visita à Arábia Saudita. De facto, o que o episódio conseguiu foi fazer com que as várias facções do Líbano, um país conhecido pelas suas profundas divisões, mostrassem uma rara unidade à volta desta questão - todos achavam que Hariri tinha sido forçado a sair por Riad.

Durante o anúncio da demissão, Hariri denunciou a preparação de um atentado contra a sua vida e acusou o movimento xiita Hezbollah de impor a sua política através das armas.

As duas potências do Oriente Médio já se enfrentam em outros assuntos regionais, como as guerras do Iêmen e da Síria. O chanceler do Líbano irá para Paris na terça-feira tratar do assunto com o líder francês.

"No Líbano, não podemos continuar assim, com as ingerências do Irã, com um movimento político que pratica estas ingerências com ele", disse no domingo à noite Hariri, referindo-se ao Hezbollah.


Hariri, que no dia 4 de novembro declarou na capital saudita de Riade que se retirou do seu cargo, apareceu diante das câmeras da rede libanesa Future TV.

A razão pela qual ele não falou até agora vem da pressão que surge após sua demissão e retornará ao seu país para atender às necessidades legais, disse ele. "Por quê ficar no meio?", questionou.

Hariri se negou a comentar a detenção, no mesmo dia de sua renúncia, de dezenas de altas personalidades na Arábia Saudita, em nome da luta contra a corrupção.

"O Líbano não aceita que seu primeiro-ministro esteja em uma situação de desacordo com os tratados internacionais", afirmou Aoun em comunicado.

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