Empresário diz que Globo pagou propina por direitos de transmissão

O ex-presidente Julio Grondona, ex-chefe de finanças da Fifa e presidente da Associação Argentina de Futebol, e o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, receberam "tratamento presidencial", afirmou. A declaração foi feita durante depoimento no Tribunal do Brooklin, em Nova York, no julgamento do ex-presidente da CBF, José Maria Marin.

Marin está preso desde 27 de maio de 2015. Fox Sports (EUA) e Televisa (Mexico), além da Globo e duas empresas de intermediação - a Traffic (brasileira) e a Full Play (argentina).

Buzarco disse ainda que liderou desde 2010 as negociações de pagamentos de propina a seis presidentes de federações sul-americanas na Conmebol, que então ficou conhecido nas reuniões secretas como Grupo dos Seis.

Burzaco, que já se declarou culpado no processo que investiga o escândalo da Fifa, era responsável por negociar jogos ligados à Conmebol.

Perguntado a quem ele pagou propina na Conmebol entre 2006 e 2015, ele disse: "Para todos".

Burzaco: Para todos. Presidente, integrantes do comitê executivo, vice-presidentes, secretário-geral, presidentes de federações nacionais. O acerto, segundo Burzaco, foi na presença de Campos Pinto.


Nessa mesma reunião, Burzaco informou a Marin e del Nero que havia mais US$ 2 milhões de propina referentes à Copa América.

"Sobre depoimento ocorrido em Nova York, no julgamento do caso Fifa pela Justiça dos Estados Unidos, o Grupo Globo afirma veementemente que não pratica nem tolera qualquer pagamento de propina".

Buzarco, que também é réu na investigação conduzida pela Justiça americana, fechou um acordo de delação premiada, e está em prisão domiciliar em Nova York desde que foi detido, há dois anos. "Em suas amplas investigações internas, apurou que jamais realizou pagamentos que não os previstos nos contratos", afirmou em nota.

Apenas dois dias depois da extradição do cartola da CBF, no dia 5 de novembro de 2015, o presidente do Grupo Globo, Roberto Irineu Marinho, distribuiu comunicado aos diretores informando o afastamento de Marcelo Campos Pinto do comando da Globo Esportes, o braço de negociações de direitos esportivos do Grupo Globo.

Os ex-presidentes da CBF José Maria Marin e Ricardo Teixeira não se manifestaram. Por outro lado, o Grupo Globo se colocará plenamente à disposição das autoridades americanas para que tudo seja esclarecido. Para a Globo, isso é uma questão de honra.

A fase principal do julgamento de José Maria Marin começou nesta segunda-feira (13), em Nova York, nos Estados Unidos, e a defesa do cartola apontou que Marco Polo del Nero era quem mandava na CBF. "Mas o Grupo Globo considera fundamental garantir aos leitores, aos ouvintes e aos espectadores que o noticiário a respeito será divulgado com a transparência que o jornalismo exige", encerra a nota. "Por fim", acrescenta Del Nero na nota, "reafirma que nunca participou, direta ou indiretamente, de qualquer irregularidade ao longo de todas atividades de representação que exerce ou tenha exercido".


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