Para Temer, Brasil tem tendência ao autoritarismo e centralização do poder

O presidente Michel Temer afirmou nesta quarta-feira (15), dia da Proclamação da República, que vê com preocupação "o que está acontecendo no Brasil", já que o país tem uma "tendência a caminhar para o autoritarismo".

Para o presidente, esses movimentos não foram resultado apenas de golpes de Estado, mas sim da vontade do povo naqueles momentos.

O discurso foi feito em Itu (101 km de São Paulo), para onde o governo foi transferido simbolicamente no feriado, cidade que foi palco de uma convenção em 1973 que discutiu a criação da República. "Se não prestigiarmos certos princípios constitucionais, nossa tendência é caminhar para o autoritarismo". Itu foi Berço do movimento que deu fim à Monarquia, sediando a primeira reunião republicana do país. "Nós até, o povo brasileiro, temos até, digamos, uma certa tendência para a centralização", afirmou o presidente.


Para justificar a afirmação, Temer citou episódios passados que representaram ruptura da ordem democrática como em 1030 e 1964, sendo que esta última marcou o início da ditadura militar no Brasil. [.] Também pela simbologia de aqui nós termos inaugurado uma fórmula que a rigor, deveria impedir aqueles movimentos centralizadores que se deram no histórico que eu fiz. "O ideal seria que nunca tivéssemos essa centralização, o autoritarismo em certo momento que houve no passado", complementou o presidente. Segundo ele, "nunca antes nesse país alguém foi tão traído e vítima de tantas ciladas como o presidente Temer".

Temer, ao agradecer, listou medidas de sua gestão, como o teto de gastos e a reforma trabalhista, e relatou "vários eventos que tentaram paralisar o governo", referência à delação do empresário Joesley Batista e denúncias da Procuradoria-Geral da República contra ele.

A segurança do prédio foi reforçada por cerca de 150 homens do Exército, além de guardas municipais e policiais militares, que cercaram o entorno da prefeitura. Mesmo assim, um grupo de 20 pessoas ligadas ao PSOL e ao Sindicato dos Metalúrgicos de Itu e Região fez muito barulho do lado de fora, com faixas, aos gritos de "fora Temer" e contra a reforma da Previdência. O ministro Imbassahy, que pode deixar a pasta com o desembarque do PSDB do governo, iniciado com a saída do agora ex-ministro das Cidades Bruno Araújo também se esquivou dos jornalistas. Temer, Alckmin e Imbassahy saíram sem falar com a imprensa.


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