Mugabe faz primeira aparição pública após militares assumirem Zimbábue

Robert Mugabe está no poder desde a independência do Zimbabué, em 1980, e era apresentado como o candidato da ZANU-PF às eleições presidenciais de 2018. Durante a manhã de quarta, o presidente sul-africano, Jacob Zuma, disse que falou com Mugabe por telefone. Nas imagens, além do presidente e de Chiwenga, aparecem os ministros da Defesa e da Segurança de Estado dos dois países. Embora a família de Mugabe esteja em prisão domiciliar, segundo a Reuters, a mulher do presidente, Grace Mugabe, teria fugido para a Namíbia.

Mugabe reuniu-se pela primeira vez, desde o golpe, com o chefe do Exército, o general Constantino Chiwenga, na sede da Presidência em Harare. E explica: "Eu que venho de Direito, o que sei é que seja o que for que está a acontecer não pode ser pior do que a situação a que Mugabe tinha levado o país”, diz o ainda membro do MPLA, partido no poder em Angola".

O ditador do Zimbábue, Robert Mugabe, compareceu nesta nesta sexta-feira (17) a uma cerimônia de formatura universitária na capital do país, Harare, em sua primeira aparição pública desde a tomada do poder por militares, que seguem negociando uma solução para o caso.

Até agora não houve qualquer pronunciamento oficial sobre a evolução do diálogo entre Mugabe e os militares, que até ontem continuava num impasse com o Presidente a dizer ser o único líder legítimo do país. Horas antes, centenas de membros das Forças Armadas haviam cercado Harare e tomaram prédios estatais, como a emissora pública ZBC.

O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, considerou nesta sexta-feira que o povo do Zimbábue deve poder "escolher seu governo". Na mesma página pode se ler que Emmerson Mnangagwa vai tomar posse hoje e que Robert Mugabe está bem de saúde e confirma a sua demissão e a criação de um Governo interino.

Também houve o expurgo de altos funcionários do regime ligados a Mnangagwa.

O comando das Forças Armadas e parte da União Nacional Africana Zimbabuana, o partido do governo, interpretaram o gesto como uma abertura do caminho para que a primeira-dama assuma o cargo na convenção da sigla, em dezembro. Ela é apoiada pela juventude da agremiação, mas é impopular entre a população por seus altos gastos em meio à crise.

"O Presidente Mugabe deve poder deixar as suas funções com dignidade".

"Devemos lembrar às pessoas ligadas aos atuais traidores que, quando tivermos que proteger nossa revolução, não hesitaremos em intervir", afirmou.

A indicação foi dada por Nick Mangwana, um membro da ZANU-PF residente no Reino Unido, que escreveu na rede social Twitter que todas as filiais concordaram em mandatar o Comité Central da força política para exonerar Mugabe da liderança do partido. Após as Forças Armadas invadirem as ruas, o líder da facção partidária, Kudzanai Chipanga, pediu desculpas ao comando das tropas pela declaração. Cinco anos depois, Mugabe reformou a Constituição e instaurou um regime presidencialista do qual foi seu maior expoente até esta quarta-feira (15). "O velho homem deve descansar", disse o ex-ministro Tendai Biti.


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