Papa se reúne com Chefe das Forças Armadas — Mianmar

As autoridades da Birmânia impuseram restrições à imprensa internacional durante a visita de Francisco e o pontífice foi mesmo aconselhado a não usar a palavra 'rohingya', de forma a evitar um eventual incidente diplomático e religioso.

A Birmânia, onde violência e massacres estão acontecendo contra os muçulmanos Arakan, foi a a primeira parada da visita.

"A minha visita pretende confirmar a comunidade católica de Mianmar na sua fé em Deus e no seu testemunho do Evangelho, que ensina a dignidade de cada homem e mulher, e exige que abramos os nossos corações aos outros, especialmente os pobres e os necessitados", explicou o pontífice. Muitos perguntam-se qual é o objetivo do chefe da igreja católica com a visita à Birmânia, e pedem-lhe que tenha cuidado e não desperte sentimentos de ódio entre comunidades religiosas.

Apesar de terem sempre levado uma vida marcada pela exclusão, nos últimos tempos os rohingya têm sido alvo de uma ofensiva militar por parte do Exército birmanês que os tem obrigado a abandonar o estado de Rakhine e procurar refúgio no Bangladesh. Cerca de 620 mil deles fugiram do país desde agosto dos vilarejos do estado Rakhine, no oeste do país, para escapar de uma campanha de repressão das Forças Armadas.

A Nobel da Paz (1991) foi acusada de ter esquecido os Direitos Humanos e de ter minimizado a situação denunciada pelas vítimas. O Governo diz que a operação militar visa neutralizar um grupo terrorista que atacou vários postos policiais e fronteiriços na região.


O Papa vai ou não pronunciar este nome: rohingya?

Porém, as Nações Unidas descrevem a acção militar como um "exemplo perfeito de limpeza étnica" e multiplicam-se as críticas em relação à inacção da líder de facto do Governo, Aung San Suu Kyi, que terá encontro marcado com Francisco. Na quarta-feira e quinta-feira, o Papa Francisco vai ser anfitrião de duas missas na cidade de Yangon, antes de ir para o Bangladesh, onde vai visitar os refugiados rohingya.

O Estado birmanês não reconhece esta minoria e impõe múltiplas restrições aos 'rohingyas', nomeadamente a liberdade de movimentos.

O encontro com o general foi sugerido pelo arcebispo de Rangum, Charles Maung Bo, nomeado cardeal em 2015 pelo papa Francisco.

"Falou-se da grande responsabilidade das autoridades do país neste momento de transição", disse o porta-voz do Vaticano, Greg Burke. "Iremos decidir durante a viagem", afirmou.


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