Ex-procurador diz que fez "uma lambança" no caso J&F

O ex-procurador da República Marcello Miller disse nesta quarta-feira (29) em seu depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da JBS que nunca foi " braço direito" do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot. Miller é acusado de atuado em prol da JBS enquanto ainda atuava no Ministério Público Federal (MPF).

O ex-procurador Marcello Miller recebeu aproximadamente R$ 449 mil do escritório de advocacia Trench, Rossi e Watanabe Advogados, responsável pelo acordo de leniência da J&F, apenas três meses depois de deixar cargo no Ministério Público Federal. Isso não aconteceu. De fato, eu comecei a ter contato com a JBS antes da exoneração. O ministro Gilmar Mendes, porém, lhe concedeu somente o direito de ficar em silêncio e não responder a perguntas que possam incriminá-lo. Fiz uma avaliação e não cometi crime, espero mesmo que apurem os fatos, mas eu cometi um erro brutal de avaliação.

Questionado por parlamentares, Miller disse que "nunca foi próximo, muito menos íntimo" do ex-procurador Rodrigo Janot. Os valores foram pagos após o procurador deixar o cargo. "O grupo de trabalho tinha dois coordenadores, eu não chefiei nenhum", afirmou Miller.


Segundo Miller, Janot lhe imputou, ao pedir sua prisão, "tipos penais completamente fora da marca". Tudo que eu incentivava a fazer era o que eu faria se tivesse no exercício de alguma atribuição. "Quais são os crimes que eu supostamente teria me articulado para praticar? Obstrução de justiça? Na verdade, o que houve foi desobstrução", afirmou.

Em depoimento à PF, o ex-procurador havia dito ajudou para não ser "descortês", mas que havia feito somente reparos "linguísticos e gramaticais" a uma espécie de esboço de um primeiro documento do delator Ricardo Saud, diretor de Relações Institucionais do grupo comandando pelos irmãos Joesley e Wesley Batista.

O ex-procurador foi convocado porque está no centro da crise que atingiu a Procuradoria-Geral da República (PGR). "Se consultar meus amigos, minha família, vai ver", disse.


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