Rússia afastada dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2018

Em decisão inédita do Comitê Olímpico Internacional (COI) a Rússia foi suspensa dos próximos Jogos Olímpicos de Inverno de Pyeongchang, em fevereiro, na Coreia do Sul.

Os atletas de nacionalidade russa serão convidados a participar na competição, debaixo de um colete de condições (a escolha dos participantes é do COI) e da designação Atleta Olímpico da Rússia (OAR, na sigla inglesa), envergando roupas em que se exibirá somente a bandeira olímpica.

Em julho de 2016, ocorreu novo abalo, com a divulgação da primeira parte do relatório independente da AMA, da autoria do professor canadiano Richard McLaren, que denunciou um sistema de doping estatal, envolvendo 30 modalidades, entre 2011 e 2015.

"Esse é um ataque sem precedentes a integridade dos Jogos Olímpicos e do esporte".

O COI, após acompanhar todos os processos, decidiu por sanções proporcionais ao sistemático processo de manipulação para proteger os atletas limpos. Além da proibição na participação nos Jogos de Inverno, a entidade optou por excluir o então Ministro do Esporte Vitaly Mutko e seu vice, Yuri Nagornykh de qualquer participação em futuras Olimpíadas.

Alexei Kravtsov, presidente da União Russa de Patinação, protestou: "A decisão do COI é ofensiva e insultante". A punição fez com que os russos levassem apenas 276 atletas para os Jogos do Rio, menos do que os 387 previstos.

Após um ano e meio de investigações de duas comissões, organizadas pelo COI e presididas pelos suíços Denis Oswald e Samuel Schmid, as evidências eram gritantes demais para nova transferência de responsabilidade.

O presidente do COI, o alemão Thomas Bach, minimizou a possibilidade de um boicote russo.

O presidente do Comitê Olímpico russo, Alexander Zhukhov -que também foi suspenso nesta terça-feira- já havia ameaçado o COI, explicando que nenhum atleta russo viajará a Pyeongchang sob bandeira neutra.

Os primeiros sinais de um endurecimento de tom do COI foram enviados ao longo do mês de novembro pela Comissão Schmid, que desclassificou 25 atletas russos dos Jogos de Sochi-2014, anulando um terço das medalhas russas conquistadas no evento, quatro delas de ouro. O momento é delicado para Putin, que protagonizará as eleições presidenciais no país em março de 2018.

- Pretendemos defender os interesses de nossos atletas, da Federação Russa; continuar comprometidos com os ideais do olimpismo e preservar todos os laços com o COI; e por meio destes laços os problemas que têm surgido serão resolvidos - disse Peskov aos repórteres em uma videoconferência.

"Um boicote nunca resolveu nada", lembrou Bach, nesta terça-feira.


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