Anel comprado por Cavendish foi 'presente de puxa-saco', diz Cabral

Cabral disse que não atuou escolhendo as empresas que participariam da licitação da reforma do Maracanã e deixou subentendido que o governador atual do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB) teve autonomia no processo. Além disso, o delator também confirmou a afirmação do empresário da Delta Construções, Fernarndo Cavendish, que havia declarado o abatimento de parte da propina repassada ao ex-governador no valor de R$ 800 mil referente a um anel comprado para ex-primeira dama Adriana Ancelmo. "Aquilo era um anel de compromisso entre mim e ele", disse Cavendish, sobre a joia, segundo o empresário adquirida em Nice, França em 2009, na companhia de Cabral. Um empreiteiro encalacrado, um réu, que lavou mais de R$ 300 milhões. "Devolvi para ele em 2012 [o anel] e não quis mais conversa, rompemos relações", disse.

"Ele me disse que estava presenteando a esposa e gostaria que eu pagasse".

"Chega a ser risível, um ano depois da obra do Maracanã".

O ex-governador também negou que tenha recebido repasses mensais da Carioca Engenharia.

De Luca é acusado no ãmbito da Operação Ratatoulle de subornar agentes públicos em troca de favorecimento na assinatura de contratos com o governo para fornecer, basicamente, alimentação a escolas públicas por meio de empresas ligadas ao empresário: Comercial Milano e Masan Serviços Especializados.

O ex-governador igualmente aproveitou a audiência para fazer críticas ao seu sucessor.

O ex-governador mais uma vez reconheceu que usou caixa 2 para fins pessoais, mas negou o recebimento de propina e a acusação de que teria havido um acordo prévio com empreiteiras para participação nas obras do estádio. Ele criticou o governo do Rio de Janeiro comandado por Pezão.

O ex-governador defendeu ainda o ex-secretário de governo Wilson Carlos. Em contrapartida, a empreiteira vencedora fez propostas de coberturas em outras obras no País nas quais a OAS tinha interesse.

No caso do PAC das Favelas, que envolvia três editais, os depoentes informaram que foram formados três consórcios divididos por nove empresas e os vencedores também foram definidos por proposta combinada. Segundo o ex-diretor, ao final do segundo mandato de Cabral, quando ele renunciou para concorrer novamente ao Senado, foi apresentada uma conta envolvendo percentuais de obras na qual a empresa devia R$ 12 milhões.

A empresa dele também teria firmado ao menos seis contratos com a Rio-2016.

Nesta terça-feira (5), Sérgio Cabral irá depor sobre os fatos que constam na denúncia da Operação Crossover.


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