Reportagem aponta Igreja Universal como líder de esquema de adoções ilegais

No âmbito da investigação da TVI relativa à "Casa de Acolhimento Mão Amiga", integrada na Obra Social da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), outrora designada por "Associação Beneficente Cristã", o Instituto da Segurança Social, "tomando conhecimento dos factos descritos, apresentou, no dia 06/12/2017, uma participação ao Ministério Público/Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa, entidade competente nesta matéria", refere numa resposta enviada à agência Lusa.

O bispo Edir Macedo, liderança máxima da Igreja Universal do Reino de Deus, está sendo acusado, junto à igreja, de ter criado uma rede de tráfico de crianças em Portugal na década de 1990.

A Universal chegou a Portugal em 1989 e rapidamente se espalhou, impulsionada pela grande quantidade de brasileiros residentes. O Segredo dos Deuses, nome dado à série de reportagens, revela que os netos de Edir Macedo na verdade são crianças roubadas e que foram tiradas das mães em Portugal.

O centro do esquema seria um lar ilegal que a Universal manteve em Lisboa nos anos 1990.

A Segurança Social adianta que "o rigor e a precisão" introduzidos pela Lei de Proteção de Crianças e Jovens em Perigo a partir de 2001, e pelo regime jurídico da adoção em 2003, conferiram uma nova configuração ao sistema de proteção de crianças e jovens. Dez anos depois, a organização foi fechada, alegadamente devido à crise econômica do país.

Segundo a TVI, depois de entregues à instituição mantida pela Igreja Universal, essas crianças desapareciam. E que logo depois "acabavam no estrangeiro", principalmente no Brasil e nos Estados Unidos, sendo adotadas de forma irregular.

A emissora também fala em um suposto esquema de vasectomias forçadas nos pastores da Universal e, posteriormente, pressões dentro da instituição para que seus integrantes adotassem crianças.


Os netos de Edir Macedo serão provenientes desta rede, que também enviou crianças para adopção para outros bispos e pastores daquele movimento.

Foram sete meses de investigações e várias mães de crianças roubadas entrevistadas, contando suas histórias pela primeira vez após 20 anos de silêncio.

Em nota, a Universal nega as acusações e diz que irá processar a TVI.

Essa conduta não poderá passar impune e será devidamente julgada no foro próprio, pelos órgãos judiciais competentes, nos quais Alfredo Paulo Filho será certamente, e uma vez mais, condenado. Ele foi desligado da Igreja em 2013, por "condutas impróprias".

Num comunicado divulgado no Brasil, a igreja brasileira afirmou que a investigação realizada pelos repórteres da estação portuguesa de televisão TVI baseia-se no depoimento falso de um ex-bispo chamado Alfredo Paulo, que teria sido expulso da igreja por conduta imprópria.

"As crianças foram encaminhadas pela Segurança Social e pela Santa Casa de Misericórdia de Lisboa para um lar - que evidentemente à época não era ilegal -, e vários pais adotivos se candidataram a adotá-las", alegou a nota.


Popular

CONNECT