Mercosul fez nova proposta para acordo com UE

Bruxelas insiste que 90% do fluxo de comércio entre o Mercosul e União Europeia tenha tarifa zero.

Até a segunda-feira, existia a expectativa de comunicação de um provável entendimento ainda na capital argentina, no âmbito do encontro da OMC, que termina nesta quarta-feira.

Ao mesmo tempo, o Mercosul apresentou pedidos explícitos aos europeus.

Por outro lado, os europeus exigiram, como contrapartida para uma melhora, que o bloco sul-americano abrisse mais o seu mercado aos produtos industrializados europeus, permitindo o acesso de automóveis, têxteis e calçados, mas também de produtos processados agrícolas como laticínios, vinhos e destilados, azeite de oliva e chocolates, entre outros. A questão agora é quando a Europa reagirá ao trabalho do Mercosul, que foi preparado durante toda a madrugada. Assim, o ansiado anúncio de um pré-acordo que marcasse um ponto de inflexão do qual não se pudesse mais recuar foi adiado até a resposta dos negociadores europeus.


Em meio a um clima político anti tratados de livre comércio existente nos países europeus, e cooptado pelo avanço de uma direita regressiva, o presidente da Comissão Europeia, o luxemburguês Jean Claude Juncker, deseja demonstrar à opinião pública que graças à atitude aberturista dos governos neoliberais do Mercosul, a Europa só obterá benefícios do acordo, não só por ganhar maiores mercados para os produtos europeus como também pela estimativa de ganhos ao redor de 4,4 bilhões de euros (5,2 milhões de dólares), que por sua vez representam três vezes mais que as reduções de taxas aduaneiras conseguidas nas negociações com o Canadá e o Japão.

- Eles garantiram que vão estudar com visão muito positiva tudo o que apresentamos, mas eles evidentemente tem um mecanismo mais complexo de consultas - apontou o ministro. O valor é acima do que o Mercosul havia proposto, entre 87% e 89%. O que também contribui ao desconcerto nesta negociação historicamente regressiva é o fato de que la maior parte das organizações e movimentos antiglobalização (muitos deles com apoio de fundos públicos europeus ou de partidos políticos que apoiam o acordo) concentram sus atenção na próxima Conferência Ministerial da OMC (Organização Mundial do Comércio) em Buenos Aires, em meados de dezembro. Nunes não quis especificar quais são os produtos que foram incorporados.

Na Argentina, o Secretário de Relações Econômicas Internacionais, Horacio Reyser, afirmou perante o Congresso do seu país que se trata de uma "inserção inteligente", mas segundo os deputados presentes o fato mais destacado é somente o próprio secretismo: o fato de que os critérios e posições a serem apresentados por parte do Mercosul na nova rodada de negociação estão em completa reserva. Pelo lado europeu, os comissários de comércio, Cecilia Malmström, e de Agricultura, Phil Hogan.


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