Crianças são cada vez mais utilizadas como armas de guerra — Unicef

O número de crianças afectadas por conflitos atingiu "níveis chocantes" em 2017.

Conforme noticia o Expresso, no Afeganistão, por exemplo, foram mortas cerca de 700 crianças nos primeiros nove meses de 2017.

O relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância, órgão que tem como objectivo promover a defesa dos direitos das crianças, detalha os abusos registados nas principais zonas de conflito armados em 2017.

No Sudão do Sul, onde o conflito interno e o subsequente colapso da economia levaram à fome em várias partes do país, mais de 19 mil crianças foram recrutadas à força para participar dos combates e mais de 2.300 resultaram mortas desde que os combates começaram, há quatro anos.

No Iraque e na Síria, as crianças foram usadas como escudos humanos, em zonas sob cerco, vivendo na primeira linha de bombardeios e violência.

Na África, a extensão do conflito interno na República Democrática do Congo para a região central do Kasai causou o deslocamento forçado de 850 mil crianças, que também são afetadas pela destruição em 400 escolas e 200 centros de saúde.

No nordeste da Nigéria e em Camarões, o grupo jihadista Boko Haram forçou pelo menos 135 crianças a realizar ataques suicidas este ano, cinco vezes mais do que no ano passado. O Iêmen vive uma das situações mais críticas, com mais de 5 mil crianças mortas ou feridas na guerra civil que já dura mais de três anos. Só aqui, mais de 11 milhões de crianças precisam de ajuda humanitária. Em Mianmar, as crianças rohingyas sofreram e testemunharam a violência quando foram expulsas de suas casas no estado de Rakhine, enquanto outras, em áreas remotas de fronteira nos estados de Kachin, Shan e Kayin continuam sofrendo com os combates entre as Forças Armadas de Mianmar e vários grupos étnicos armados. Dos 1,8 milhões de crianças que sofrem de desnutrição, 385 mil estão gravemente desnutridas e correm risco de morte, se não forem tratadas com urgência.

Na Europa, especificamente no leste da Ucrânia, 220 mil crianças vivem sob a ameaça constante de minas e dispositivos explosivos abandonados em todos os lugares, e em que as crianças muitas vezes tropeçam ou simplesmente manuseiam, como se fossem brinquedo.

Algumas crianças, raptadas por grupos extremistas, são novamente violentadas pelas forças de segurança quando são libertadas. "Uma vez que esses ataques continuam ano após ano, não podemos ficar entorpecidos".

O diretor dos programas de emergência da Unicef, Manuel Fontaine, refere que esta "brutalidade não pode transformar-se no novo normal".

"A UNICEF apela a todas as partes que cumpram as obrigações definidas na lei internacional para pôr um fim imediato às violações contra crianças e aos ataques a infraestruturas civis como escolas e hospitais", lê-se no documento.


Popular

CONNECT