Loures, o 'homem da mala', nega amizade com Temer

O ex-assessor da Presidência da República Rodrigo Rocha Loures (MDB-PR), atualmente em prisão domiciliar, afirmou em depoimento à Polícia Federal (PF) que desconhece sobre o que seria a expressão "o setor já conseguiu coisa demais com este decreto", assim como o termo "exposição do Presidente", ambos ditos a Loures por Gustavo Rocha, subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil, em ligação interceptada no dia 8 de maio de 2017, na qual eles conversavam sobre o Decreto dos Portos (9048/2017).

Como publicado mais cedo, nesta segunda-feira, pelo Broadcast, Loures também afirmou que não recebeu dinheiro para trabalhar por interesses privados na aprovação do Decreto dos Portos e que, apesar de amistosa, sua relação com Michel Temer não é de amizade, mas foi "sempre profissional, respeitosa, administrativa e funcional".

O ex-assessor negou ainda ter repassado informações de reuniões com integrantes do setor portuário a Temer por entender que não era necessário. Além do presidente e seu ex-assessor, são investigados o dono da Rodrimar, Antônio Celso Grecco, e o diretor da empresa, Ricardo Conrado Mesquita. Segundo ele, Temer tinha conhecimento da tramitação, mas não sabe dizer se o presidente sabia dos detalhes do decreto e que "não tem conhecimento se o presidente possui qualquer vinculação com o setor, em especial com empresas do Grupo Rodrimar, seus sócios, e outras concessionárias baseadas no Porto de Santos, SP".

Loures foi ouvido nos dias 24 e 27 de novembro pela PF, de acordo com os depoimentos obtidos pelo JOTA.

O presidente Michel Temer tem até o dia 19 para responder as 50 perguntas feitas pela Polícia Federal sobre supostas irregularidades na edição de um decreto que beneficiou empresas do setor de portos. "Que acredita que pelo fato de ter passado recentemente pela estrutura da Presidência imaginavam no declarante uma maior interlocução das demandas tratadas naquela ocasião junto ao seu ex-chefe, o que o declarante afirma que não é verdadeiro", afirmou.

Loures ainda disse o objetivo da conversa com Rocha não era fazer pressão sobre questões do Decreto, que estava sendo analisado na Casa Civil. Segundo ele, o documento foi elaborado por um escritório de advocacia e entregue em reunião com representantes da área, entre eles Mesquita.

A PF abriu inquérito para investigar suspeitas de que um decreto presidencial foi feito sob medida para atender os interesses do setor portuário.

Também negou que o decreto tenha beneficiado a empresa de Santos. "A empresa teria se beneficiado se tivesse atingido concessões pré-93, o que não aconteceu", disse.


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