Deneuve e mais 99 defendem: eles têm o direito de "importunar"

Mas cortejar de forma insistente ou desajeitada não é um delito, assim como o galanteio não é uma agressão machista, afirmam no jornal Le Monde uma centena de atrizes, escritoras, pesquisadoras e jornalistas. Entre eles estão o produtor Harvey Weinstein, o ator Kevin Spacey e, mais recentemente, o ator James Franco.

São já vários os movimentos - com os Globos de Ouro a serem também uma demonstração - contra os casos de assédio e abuso sexual, que se refletiram em larga escala nas redes sociais em todo o mundo, França incluída. Em um claro contraponto ao movimento "Time's Up" ("acabou o tempo", também em tradução literal), que vai custear as batalhas legais de vítimas nos Estados Unidos, o grupo de francesas defendeu que muitos homens "foram penalizados na profissão ou obrigados a se demitir quando seu único erro foi tocar um joelho, tentar um beijo, falar de coisas íntimas no trabalho ou enviar mensagens de conotação sexual a uma mulher que não sentia atração recíproca".

"De facto, o #metoo levou na imprensa e nas redes sociais a uma campanha de denúncias públicas e acusações a indivíduos que, sem terem a oportunidade de responder ou se defenderem, foram colocados exatamente no mesmo nível que os infratores sexuais".

Além de Catherine Deneuve, também a atriz alemã Ingrid Caven e a escritora francesa Catherine Millet estão entre as mais de 100 mulheres que assinaram o texto.


"Isto apenas encoraja a enviar os homens para um matadouro, ao invés de ajudar as mulheres a serem mais autónomas e ajuda os inimigos da liberdade sexual", pode ler-se numa coluna do jornal francês.

A italiana foi ainda mais longe e desafiou a Secretária de Estado para a Igualdade entre Mulheres e Homens francesa, Marlène Schiappa, a pronunciar-se sobre o "artigo deplorável". Em março do ano passado, Deneuve criou polêmica ao defender publicamente Polanski de uma das acuações de estupro.

"Não nos reconhecemos neste feminismo que, para além de denunciar abusos de poder, encarna um ódio aos homens e à sexualidade", assegurou o coletivo, que considera a "liberdade de importunar indispensável à liberdade sexual". Para a atriz, o diretor não sabia que a vítima tinha 13 anos.


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