Inflação do Brasil fica em 2,95% em 2017, menor taxa desde 1998

POR HAMILTON FERRARIEnquanto o país está com inflação menor do que o piso da meta de 3%, Brasília é a região em que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é o mais elevado, com 3,76%. As duas maiores altas ocorreram em Goiânia e Brasília, ambas com variação inflacionária de 3,76% - resultado 0,81 ponto percentual acima da variação média nacional. A inflação do ano passado também fica marcada como a primeira vez em que a equipe econômica descumpre a meta da inflação pelo valor estar baixo do que o determinado.

Segundo o IBGE, no grupo Habitação, as principais influências da alta vieram de produtos como o gás de botijão, que subiu 16%, taxa de água e esgoto (10,52%) e energia elétrica (10,35%). Essa foi a maior variação mensal de 2017.

Segundo o gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor do IBGE, Fernando Gonçalves, a deflação dos alimentos foi consequência da produção agrícola, que teve uma safra cerca de 30% maior que a de 2016.

Considerando a taxa anual de 2,07% do INPC, o salário mínimo, que teve reajuste de 1,81%, ficou sem ganho real, ou seja, abaixo da inflação, pelo 2º ano consecutivo.

O setor de saúde e cuidados pessoais foi influenciado pelos planos de saúde, que ficaram 13,53% mais caros, e dos remédios (4,44% de aumento). Além do reajuste nos tributos (Programa de Integração Social/ Contribuição para Financiamento da Seguridade Socia - PIS/Cofins), foram concedidos 115 reajustes nos preços, com um aumento acumulado de 25,49% somente entre 3 julho a 28 de dezembro do ano passado.

Oíndice ficou em 2,07%. Ao anunciar o reajuste de 1,81% no final do ano, o governo usou apenas uma estimativa de variação do índice, cujo percentual exato só foi divulgado nesta quarta-feira. Se fosse corrigido pela inflação observada, o salário mínimo teria subido de R$ 937 para R$ 956, e não para R$ 954.


Essa é a menor correção aplicada ao salário mínimo desde 1995, primeiro ano após a criação do Real.

De acordo com a legislação, o valor é corrigido levando em conta a inflação no ano anterior e o PIB de dois anos anteriores. No caso de 2018, o PIB não é levado em conta, pois em 2016 a economia teve retração (- 3,5%).

Em 2017, o reajuste para aposentados e pensionistas do INSS que recebem benefícios com valor acima de um salário mínimo foi de 6,58%, referente à variação do INPC de 2016.

A explicação do governo é que houve um arredondamento para baixo como forma de compensar o reajuste concedido em 2017.

Agora, informou o Planejamento, está ocorrendo a compensação para baixo. Esse instrumento é previsto na legislação que cita que "eventuais resíduos serão compensados no reajuste subsequente".


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