Proteção dos EUA para 200 mil salvadorenhos é extinta

Perto de 200 mil cidadãos de El Salvador que estão nos Estados Unidos legalmente, ao abrigo de um programa especial, terão de abandonar o país ou procurar uma via alternativa de regularização, anunciou hoje o Departamento de Segurança Interna.

Os salvadorenhos em causa, que residem, trabalham e constituíram família nos Estados Unidos, estão no país ao abrigo de um estatuto de proteção temporária (TPS, na sigla em inglês). Os efeitos desta decisão, no entanto, só serão produzidos daqui a 18 meses, em Setembro de 2019, de modo a impedir um êxodo desordenado.

Os salvadorenhos estavam nos EUA protegidos pelo Temporary Status Program, o Programa de Estatuto Temporário em português, implementado como ajuda humanitária depois de El Salvador ter sido vítima de terramotos, no ano de 2001.

De acordo com o Washington Post, pelo menos 200 mil salvadorenhos serão avisados pelas autoridades de que têm que deixar o território norte-americano ou então iniciar o processo para obter autorização formal de residência.

Proteção dos EUA para 200 mil salvadorenhos é extinta
Proteção dos EUA para 200 mil salvadorenhos é extinta

Esta segunda-feira, o departamento norte-americano de Segurança Interna divulgou a nota da revogação do estatuto para os salvadorenhos, a partir de 9 de setembro de 2019, dando-lhes 18 meses para "permitir uma transição ordenada".

A secretária do Departamento de Segurança Interna, Kirstjen Nielsen, nomeada há apenas três meses, argumenta que as condições de vida em El Salvador têm melhorado significativamente, o que torna ultrapassadas as razões para que beneficiem deste regime de protecção da deportação.

Esta permissão não abria caminho para a residência permanente, nem para nenhum outro status de regulamentação migratória, por isso, com a decisão do governo dos Estados Unidos de não prorrogá-la, seus beneficiários terão de retornar a seus países de origem ou correrão o risco de serem deportados, caso decidam ficar nos EUA de forma irregular. Já Kevin Appleby, do Centro de Estudos para as Migrações, com sede em Nova Iorque, diz que a decisão sobre El Salvador é "particularmente prejudicial". "Além disso, prejudica o interesse que todos temos em ter uma América Central politicamente estável", acrescentou o ativista em declarações ao Washington Post.


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