Queda de alimentos em domicílio fez inflação ficar abaixo do piso — Ilan

"Projeções condicionais produzidas pelo Copom e expectativas dos participantes da pesquisa Focus apontam continuidade dessa tendência", afirmou Goldfajn. Desta forma, o teto da meta seria de 6% e o piso de 3%.

No cenário apresentado por Ilan a Meirelles, a inflação encerra este ano em 4,2%, "0,3 pp. abaixo da meta, de 4,5%".

"Taxas de inflação trimestrais (ajustadas sazonalmente) crescentes, impulsionadas por estímulos monetários, combinadas com o descarte de taxas trimestrais excepcionalmente baixas associadas à deflação do preço de alimentos, implicarão trajetória ascendente, ao longo de 2018, da inflação acumulada em 12 meses", diz o texto. Ele ressaltou que o Relatório de Inflação do BC, divulgado a cada três meses, estima que a inflação fechará 2018 e 2019 em 4,2%.

Além disso, ele repetiu uma ideia contida nos documentos mais recentes da instituição: a de que o processo de corte de juros "continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa de extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação". No início de 2017, o dólar teve forte recuo em relação ao real, e isso também ajudou na redução da inflação.

Essa foi a primeira vez que a inflação ficou abaixo do piso do sistema de metas, adotado no Brasil desde 1999.

O BC, ainda no documento informou que tem 'calibrado' a taxa básica de juros, atualmente em 7% (o menor nível já registrado) e que vai manter o procedimento.

No ano passado, a meta de inflação estava fixada em 4,5%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. A autoridade monetária ainda apontou que seguiu bons princípios de politica monetária e que a queda da inflação elevou poder compra população e ajudou na recuperação da atividade.

A carta aberta traz as justificativas do Banco Central para o fato de a inflação oficial de 2017, divulgada nesta quarta-feira, 10, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ter ficado abaixo de 3,0%, em 2,95%. Pelas regras do regime de metas, sempre que a inflação fugir do intervalo estabelecido, o presidente do BC precisa enviar uma carta aberta ao ministro da Fazenda - que é, tecnicamente, o presidente do Conselho Monetário Nacional (CMN), responsável pelo estabelecimento das metas. Em 2017, porém, o problema foi uma inflação muito baixa, inferior ao piso.


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