Mira Amaral admite transferência da produção da Autoeuropa para outro país

O grupo, autodenominado "Juntos pelos trabalhadores da Autoeuropa", diz que "não se tem sentido representado pela forma como a Comissão de Trabalhadores (CT) tem gerido o conflito em curso na Autoeuropa" e explica que, por esse motivo, recolheu as assinaturas necessárias para convocar os plenários de 20 de dezembro e aí apresentou o conjunto de propostas que viria a ser aprovado. "Quando a produção deste modelo acabar ou quando for preciso produzir outro modelo, vão aparecer responsáveis de outras fábricas com argumentos que a Autoeuropa não tem depois deste período de greves e de irrealismo laboral", sublinha. Criou mais postos de trabalho.

"O "flash" distribuído [terça-feira] na comunicação interna e assinado pelo diretor de recursos humanos da Autoeuropa vem confirmar aquilo que o sindicato sempre disse: que o sábado é pago como um dia normal de trabalho". Os trabalhadores da Autoeuropa têm, no contexto português, salários superiores a muitos colegas de outras fábricas. Pelo amor de Deus.

Em conferência de imprensa realizada esta quarta-feira em Setúbal, os dirigentes sindicais Eduardo Florindo, do SITESUL, Sindicato dos Trabalhadores das Industrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Sul, e Rogério Silva, da Fiequimetal, Federação Intersindical das Indústrias Metalúrgicas, Químicas, Elétricas, Farmacêutica, Celulose, Papel, Gráfica, Imprensa, Energia e Minas, disseram que os trabalhadores recusam a obrigatoriedade do trabalho ao sábado e exigem o pagamento daquele dia como trabalho extraordinário.

A nova Comissão de Trabalhadores liderada por Fernando Gonçalves, que, entretanto, foi eleita, negociou um segundo pré-acordo, mas os trabalhadores voltaram a rejeitar a proposta por larga maioria, o que levou a administração da fábrica a avançar, unilateralmente, com um horário transitório que deverá vigorar de fevereiro a julho deste ano. O DN/Dinheiro Vivo também tentou contactar a administração da Autoeuropa, que não quis fazer qualquer comentário.

Para a produção de 240.000 veículos T-Roc, sustenta ainda o comunicado, seriam necessárias medidas estruturais semelhantes àquelas que viabilizaram na fábrica da Volkswagen em Navarra a produção de quase 300 mil veículos "sem trabalho obrigatório ao fim de semana".

A partir de 29 de janeiro, e até agosto, a Autoeuropa vai trabalhar seis dias por semana, divididos por 17 turnos: três períodos laborais de segunda a sexta e dois ao sábado. Nas últimas semanas, as duas partes têm-se desdobrado em negociações, sem nunca ter chegado a haver fumo branco.


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