Membros da Oxfam contrataram prostitutas no Haiti,diz jornal

Funcionários da organização humanitária Oxfam recorreram a prostitutas e pagaram-lhes com o dinheiro da ONG, durante uma missão no Haiti em 2010.

Uma reportagem do jornal "The Times" apontou que, após o terremoto que devastou o Haiti e deixou 300 mil mortos, um alto dirigente da Oxfam contratou jovens prostitutas.

Esta informação foi qualificada de "verdadeiramente chocante" por Downing Street, sede da liderança do governo britânico e residência da primeira-ministra Theresa May.

Segundo uma fonte, as jovens participaram em orgias em alojamentos e hotéis pagos pela ONG.

A Comissão Caritativa indicou em comunicado que recebeu um relatório da Oxfam em agosto de 2011, no entanto aquele relato mencionava "comportamentos sexuais inapropriados, feitos de intimidação e assédio da equipe", mas nada sobre "abusos dos beneficiários" da ONG e nem se referia a "potenciais crimes sexuais que envolveram menores".


Segundo a investigação do The Times, a Oxfam também é suspeita de não ter advertido outras ONGs sobre o comportamento dos envolvidos no escândalo, o que permitiu que estes funcionários se transferissem para outras missões a cargo de pessoas vulneráveis em diferentes áreas de desastre.

Houve uma investigação interna, mas segundo o jornal o diretor para o Haiti da Oxfam, Roland van Hauwermeiren, renunciou sem que houvesse nenhuma ação disciplinar. Depois, tornou-se chefe da missão da ONG francesa Ação Contra a Fome (ACF) em Bangladesh entre 2012 e 2014.

Mais dois funcionários também se demitiram e outros quatro foram despedidos.

A ACF contactou a Oxfam antes de empregar Roland van Hauwermeiren, mas a ONG não lhe indicou as razões de sua renúncia, declarou à AFP Mathieu Fortoul, porta-voz da organização.

A Oxfam, uma confederação de organizações humanitárias cuja sede se situa em Oxford, no Reino Unido, negou ter levado a cabo qualquer "tentativa de ocultação" dos factos para preservar a sua reputação. O presidente da Oxfam, Mark Goldring, disse neste sábado à BBC Rádio 4 que, vendo agora, "preferiria que tivéssemos citado o mau comportamento de natureza sexual, mas acho que ninguém se interessou em descrever os detalhes deste comportamento, porque chamaria muita atenção para o assunto", explicou. "Além disso, recebemos referências positivas de ex-colegas da Oxfam - a título pessoal - que trabalharam com ele, acrescentou".


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