Bastonário quer que médicos deixem de ser chamados doutores

O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, assumiu que o atraso na abertura do concurso para médicos especialistas é da responsabilidade do ministério das Finanças.

Segundo a Agência Lusa, elementos da Ordem dos Médicos estarão hoje a acompanhar um grupo de recém-especialistas da área hospitalar ao parlamento para entregar uma carta a contestar o facto de mais de 700 profissionais estarem há largos meses à espera da abertura de concurso.

O bastonário da Ordem dos médicos, Miguel Guimarães, quer que os médicos deixem de ser chamados de "doutores" e prepara-se para avançar com a proposta no Conselho Nacional Executivo da Ordem dos Médicos. Gostava de uma designação nova. Estas nomenclaturas já estarão ultrapassadas.

Contudo, Miguel Guimarães admite que ainda não pensou numa outra designação para substituir a expressão "doutor".

Sobre a justificação do ministro da Saúde, que quarta-feira disse que está no Ministério das Finanças o processo para abrir o concurso para estes médicos, Miguel Guimarães disse que a mesma não pode ser aceite. A ideia surge depois de ter sido aprovada uma licenciatura em medicina tradicional chinesa, "a cereja no topo do bolo da nossa indignação", refere o bastonário da Ordem dos Médicos.

Sobre a relação institucional entre a Ordem dos Médicos e o ministro da Saúde, o bastonário afirma que irá ser "difícil, muito difícil", já que "neste momento, não tenho razões para acreditar no ministro da Saúde".

Sobre a falta de abertura de concurso dez meses depois de concluída a especialidade por 710 médicos hospitalares, o ministro admitiu que o atraso é maior do que é normal. "Já lá vai quase um ano", comentou o bastonário.

Além da questão dos concursos, o representante dos médicos aludiu à publicação da portaria que valida a criação de ciclos de estudo que conferem o grau de licenciado em medicina tradicional chinesa. Mas ainda não há luz verde das Finanças para os hospitais contratarem os cerca de 700 médicos que concluíram especialidades hospitalares em 2017, quer na primeira fase em abril quer na segunda fase de outubro.


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