Mas não ciência: Com matéria contra o "golpe", UnB faz política

Desde 21 de fevereiro de 2018, foi levantada na imprensa uma polêmica sobre uma disciplina optativa sem pré-requisitos do Instituto de Ciência Política, "Tópicos Especiais em Ciência Política: O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil", aberta facultativamente a todos/as os/as alunos/as da Universidade de Brasília, a ser ofertada no primeiro semestre letivo de 2018 pelo professor Luis Felipe Miguel, professor titular do Instituto de Ciência Política da UnB.

Além da UnB, ao menos outras quatro instituições já confirmaram que vão oferecer cursos com o mesmo teor: Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

A disciplina aqui ofertada é inspirada na disciplina oferecida na Universidade de Brasília pelos docentes Luís Felipe Miguel e Karina Damous Duailibe e tem três objetivos complementares: (1) Entender os elementos de fragilidade do sistema político brasileiro que permitiram a ruptura democrática de maio e agosto de 2016, com a deposição da presidente Dilma Rousseff.

O curso, e a ementa que o guiará, parecem em dissonância com a ideia de universidade. Algumas pessoas usam o termo 'revolução redentora'. Somos uma comunidade acadêmica bastante produtiva e diversa, que trabalha com temas e perspectivas analíticas plurais e muitas vezes conflitantes entre si, como pensamos que deve ser a Ciência Política e a universidade.

A Universidade Federal da Bahia (UFBA) é outro exemplo de instituição que será palco de iniciativa semelhante.


Para o sociólogo e professor Cesar Callegari, membro do Conselho Nacional de Educação, a atitude do ministro é preocupante.

"É em defesa da universidade, da liberdade de cátedra, do exercício livre das nossas inteligências e contra este governo, que, além de retirar recursos, de estrangular a ciência, a tecnologia e a educação do país, agora pretende calar a voz dos professores", critica.

As reações do ministro Mendonça Filho foram manifestadas na semana passada, por meio de seu perfil no Twitter.

Mendonça Filho declarou que serão acionados contra a disciplina a Advocacia-Geral da União (AGU), o Tribunal de Contas da União (TCU), a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Ministério Público Federal (MPF).

"A consulta aos órgãos de controle visa a apurar possível prática de improbidade administrativa por parte dos responsáveis pela criação da disciplina e por fazer possível proselitismo político e ideológico do PT e do lulismo", afirmou o ministro da Educação na ocasião, em nota.


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