Não há definição sobre modelo de venda da Liquigás — Petrobras

As negociações entre o grupo Ultra e a Petrobras para a venda da distribuidora de gás de botijão Liquigás ampliam ainda mais a concentração no mercado do combustível, que é alvo de investigações de formação de cartel.

O Tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) vetou, nesta quarta-feira (28/2), a aquisição de 100% do capital social da Liquigás pela Ultragaz, para evitar que a empresa domine o mercado do chamado gás de cozinha, o gás liquefeito de petróleo (GLP). Maurício Maia e Polyanna divergem, recomendando aprovação com "remédios".

Nos últimos meses, a relatora Cristiane e os advogados da Ultra e da Liquigás se reuniram várias vezes, na tentativa de encontrar um acordo que viabilizasse a aprovação da operação, mas não teriam encontrado uma solução considerada "contundente" pela relatora. "A conselheira chegou à conclusão de que se trata de um caso que não pode ser salvo", disse uma pessoa com acesso ao caso. Sem o aval do Cade, o grupo Ultra terá que pagar uma multa contratual de R$ 280 milhões à Petrobras, o equivalente a 10% do negócio de R$ 2,8 bilhões.


A decisão de rejeitar a operação é vista como certa pelo mercado. Em agosto do ano passado, um parecer da superintendência do Cade recomendou a reprovação da operação por entender que "não há pacote de remédios que enderece de forma adequada todas as preocupações identificadas".

Apesar da proposta de vender bases de distribuição, concorrentes alegavam que as características do mercado nacional impediriam a entrada de novos agentes no setor diante da elevada concentração em mercados como a região Sul e a Bahia.

No mercado, uma empresa pega o botijão na casa do cliente. Assim, as empresas precisam ter grandes quantidades de botijões, uma vez que parte deles estará parada com os concorrentes. A proposta prevê ainda a venda de todo o negócio da Liquigás no mercado de gás propelente (utilizado em aerossóis) em que seria criado um monopólio.


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