COMÉRCIO MUNDIAL: OMC manifesta preocupação sobre guerra comercial

O brasileiro Roberto Azevedo, diretor-geral da OMC, alertou nesta segunda-feira que retaliações contra as medidas protecionistas dos EUA e a decisão de Donald Trump de aplicar novas tarifas contra o setor siderúrgico podem acabar causando danos a todos.

O secretário de comércio avaliou as ameaças da União Europeia de implementar tarifas de retaliação sobre produtos americanos emblemáticos, incluindo motos Harley Davidson, bourbon e o jeans Levi's, como triviais e um "erro de arredondamento".

Funcionário do Ministério do Comércio da China afirmou que o plano de Trump de criar uma tarifa de 25% sobre o aço importado e de 10% sobre o alumínio "prejudicaria seriamente os mecanismos de comércio multilateral representados pela Organização Mundial do Comércio e teriam um impacto enorme na ordenamento do comércio internacional". A potencial de escalada é real, como vimos a partir das respostas iniciais de outros" e afirma ainda "Uma guerra comercial não é de interesse de ninguém.

O anúncio de Trump suscitou várias reações e críticas. O presidente americano tuítou na sexta-feira (02/03), dizendo que "guerras comerciais são boas e fáceis de vencer". "Por exemplo, quando estamos abaixo de US$ 100 bilhões com um certo país e eles ficam fofos, não negocie mais - nós ganhamos muito".

Se a estratégia não der resultado, o Brasil vai sozinho à OMC (Organização Mundial do Comércio). Em agosto, Trump ordenou uma investigação para apurar se Pequim pressiona empresas a compartilhar sua tecnologia e em janeiro os impostos que incidem nos módulos solares chineses e máquinas de lavar foram aumentados.


Na manhã desta quinta, Trump já tinha afirmado no Twitter que as importações dos dois metais estavam destruindo a indústria nacional.

Pequim avisou já que adotará as "medidas necessárias" para defender os interesses dos seus exportadores. O Canadá é o maior exportador de aço para os EUA. Além do que, de acordo com um diplomata, "Trump não está fazendo nada que não tenha anunciado na campanha".

Pequim já iniciou uma avaliação sobre as importações de sorgo dos EUA e estuda a possibilidade de restringir as remessas de soja dos EUA - alvos que podem prejudicar o apoio a Trump em alguns estados agrícolas. Só perde para o Canadá, que exportou 5,8 milhões de toneladas ano passado.

O primeiro argumento do Itamaraty é o de que o aço brasileiro exportado para os Estados Unidos é semi-acabado, ou seja, usado como insumo em setores da indústria americana, como o automobilístico.

Em 2017 a Coreia do Sul foi o sexto maior parceiro comercial dos Estados Unidos, atrás da Alemanha e à frente de Grã-Bretanha e França.


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