Itália: Coligação de direitas de Berlusconi perfila-se como vencedora

A Itália aprendeu a viver na incerteza: foram mais de 60 governos desde o início da República, em 1946.

A questão da imigração dominou a campanha para as eleições legislativas. Mas um resultado definitivo de quantos assentos cada partido terá no Parlamento deve sair somente na manhã desta segunda-feira (5), devido ao complicado sistema eleitoral italiano, que mistura os modelos proporcional e majoritário.

Significa isto que as eleições italianas de domingo deixaram tudo em aberto e só as coligações poderão devolver a Itália um rumo e um Governo.

Di Maio disse que o partido está "aberto a negociação com todas as forças políticas". Fracassou e cumpriu a promessa. "A Itália do 5 Estrelas afunda o PD", é a primeira página do diário Corriere della Sera. O eleitorado está dividido em três grandes blocos, e a atual lei eleitoral italiana, que tem sido sucessivamente alterada, resulta de um acordo entre o centro esquera e o centro direira.

Os italianos terão que escolher os 630 deputados e 315 senadores.

Para a Câmara dos Deputados, o partido conseguiu 32,20% dos votos, convertendo-se no partido unitário mais votado, num cenário sem maioria absoluta para governar.

Quais partidos/alianças estão na disputa? Em primeiro lugar, com cerca de 40% das intenções de votos, está a coalizão da direita e da extrema-direita, que reúne quatro partidos, entre eles, a Força Itália, de Silvio Berlusconi e a Liga, do eurocético Matteo Salvini.


Espera-se que 50 milhões de pessoas compareçam às urnas e pesquisas mostram que, deste total, ao menos 10 milhões estão indecisas. De acordo com o Ministério do Interior, a participação no pleito foi de 71,48%, uma queda se comparado com o ano de 2013, quando 75% dos italianos participaram da votação.

Já a aliança do governista Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, teria sofrido uma dura derrota e ficado com 25% a 28% no Senado e 24,5% e 27,5% na Câmara.

Seu líder, Matteo Salviani, terá, portanto, o direito de reivindicar a liderança de qualquer governo, ainda mais porque Berlusconi, condenado em última instância por sonegação pela Corte de Correções em 2013, está impedido de ocupar cargos públicos até 2019.

Se for a FI, Berlusconi aposta em Antonio Tajani, presidente do Parlamento Europeu, para o cargo de primeiro-ministro (e ele já aceitou o convite para assumir o posto). O antigo líder italiano chegou mesmo, segundo o jornalista italiano Valter Lavitola, acusado de ter procurado prostitutas jovens para Berlusconi, a dizer ao telefone ao jornalista que Angela Merkel era "um gajo infodí.", comentário que Berlusconi desmente na sua biografia, garantindo que foi divulgado para piorar as suas relações com a mulher mais poderosa da Europa, a quem, no entanto, acusa de o ter derrubado.

Ainda que seja o "grande vencedor" de hoje, retorno de Berlusconi enfurece a população. Renzi, que sem ser eleito, foi primeiro-ministro entre 2014 e 2016, insistiu durante toda a campanha que é o líder incontestado do PD, "assim decidiram os militantes nas primárias".

Nada garante, porém, que esses grupos irão conseguir uma quantidade suficiente de cadeiras para garantir a maioria nas duas casas.

O desemprego renitente entre os jovens, a derrota no combate à corrupção (cujo maior símbolo é a ressurreição política de Berlusconi) e o agravamento da situação financeira do país desde a crise de 2008 criaram o ambiente ideal para o florescimento do discurso populista - seja na vertente nacionalista da Liga ou na purista do M5E. Vale lembrar que o M5S já disse em diversas ocasiões que não entraria em uma coalizão ou aliança.


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