"Fake news" espalham-se mais rápido do que notícias verdadeiras

Na origem deste trabalho este o atentado na maratona de Boston que, em abril de 2013, matou três pessoas e feriu mais de 200.

Após examinar cerca de 126 mil histórias compartilhadas por aproximadamente 3 milhões de pessoas no Twitter entre 2006 e 2017, um estudo realizado por pesquisadores do Media Lab, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, apontou que as notícias falsas eram 70% mais prováveis de serem compartilhadas pelas pessoas do que as verdadeiras. E decidiu mergulhar no assunto com a sua equipa.

Para o pesquisador, a principal conclusão do estudo publicado na Science "não é que a mentira se espalha mais rápido que a verdade", mas sim que "coisas que apelam a sentimentos políticos [e outras emoções] se difundem mais rapidamente".

Os autores do estudo recolheram dados do Twitter relativos a um período de 12 anos. As histórias examinadas no estudo foram revisadas por seis organizações independentes de verificação de fatos, incluindo o Snopes e o Politifact, para avaliar sua veracidade.

E chegou-se à conclusão que aquelas que continham teor adulterado foram, em média, difundidas de forma mais rápida e ampla que as verdadeiras, segundo os investigadores do MIT. Mesmo assim, os efeitos são mais significativos nas "novidades" de política do que nos rumores sobre terrorismo, desastres naturais, ciência, mitos urbanos ou finanças.

A razão que poderá estar por trás desta preferência pela partilha de notícias falsas por parte dos utilizadores é o fator surpresa: "o grau de novidade e as reações emocionais dos recetores podem ser os responsáveis pelas diferenças observadas", concluiu o estudo. As contas de Twitter que publicam informações falsas têm em média menos seguidores, seguem menos contas e são menos ativas que as contas dos que 'tweetam' informações verdadeiras. Autoridades dos EUA acusaram a Rússia de usar as mídias sociais para tentar semear a discórdia nos Estados Unidos e interferir nas eleições presidenciais de 2016.

Foram analisados 4,5 milhões de tweets de aproximadamente três milhões de utilizadores. Nada menos do que os temidos bots que se espalham pela rede social.


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