André Gomes no "inferno" de Barcelona

O jogador fez 72 partidas, com apenas três gols marcados, todos na temporada 2016/17, e somente quatro assistências.

André Gomes descreve parte da sua estadia em Barcelona como um "inferno". Na Catalunha, porém, nunca conseguiu repetir o futebol que apresentou no Mestalla, sendo um dos maiores alvos dos torcedores em relação às críticas. Os primeiros seis meses foram bastante bons, mas depois as coisas mudaram. Talvez a palavra não seja a mais precisa, mas tornou-se um inferno para mim, porque comecei a sofrer mais pressão.

"Com a pressão dos outros eu vivo bem, com o que não vivo bem é com a pressão que coloco em mim mesmo". Não quero que as pessoas me vejam, sinto vergonha", revelou, acrescentando: "Não me sinto bem em campo, não estou a desfrutar.

O médio falou à revista espanhola Panenka, no meio de um turbilhão de emoções.


Apesar das atuações abaixo da média e das críticas vindas das arquibancadas, o português continua recebendo chances com o treinador Ernesto Valverde. "Talvez por ter jogado um dia antes ou dois dias antes e ainda esteja com a imagem do jogo na cabeça, que não me permite seguir em frente", sublinha. "Mas no treinamento me sinto confortável com meus colegas de equipe". "Há dias em que nem quero sair de casa". "Embora os meus companheiros me apoiem bastante, as coisas não me saem como eles esperam".

"Fecho-me. Não me permito libertar a frustração". O que eu faço não é falar com ninguém para não incomodar ninguém.

"Pensar de mais faz-me mal. Porque eu penso nas coisas más e depois, quando tenho de fazer alguma coisa, vou sempre a reboque. É como se me sentisse envergonhado", esclareceu. Então, o que faço é não falar com ninguém, não reclamar com ninguém. Já tive vontade de não sair de casa em mais de uma vez. Às vezes tenho medo de sair de casa por sentir vergonha.

André afirma que a falta de confiança lhe afeta até mesmo quando um de seus companheiros de equipe tenta ajuda-lo, já que ele fica se questionando no motivo de não conseguir fazer as coisas melhorarem. Exemplo disso foi, na semana passada, o texto escrito na primeira pessoa por Kevin Love, extremo/poste dos Cleveland Cavaliers campeão em 2016, na The Players' Tribune, onde confessava ter sofrido um ataque de pânico durante um jogo com os Alanta Hawks, em novembro. Incomoda-me que eles me digam que posso fazer muitas coisas boas.


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