Rússia reage e expulsa 23 diplomatas do Reino Unido — Caso Skripal

A medida é uma retaliação contra a decisão do Reino Unido de impor sanções contra o país - entre ela a expulsão de 23 dos 59 diplomatas russos.

"O nosso conflito é com o Kremlin de Putin, e com a sua decisão - e pensamos que é altamente provável que tenha sido ele a decidir o uso de agente neurológico nas ruas do Reino Unido, nas ruas da Europa, pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial", disse o chefe da diplomacia britânica.

A praxe internacional nesses casos é devolver a punição da mesma forma, expelindo número semelhantes de diplomatas do país.

Na prática, contudo, os efeitos da crise são mais políticos. Nada disso foi tocado por May. Neste caso, a alegação foi de que a entidade funcionava sem registro correto na Rússia.

O Kremlin, citado pela agência russa TASS, disse que as acusações feitas por Johnson são "chocantes e imperdoáveis". Russos consideraram medida 'hostil e injustificada'. Se a Rússia ordenou o ataque a Skripal, ou se foi Londres ou algum terceiro ator, além de difícil de saber é irrelevante do ponto de vista de construção narrativa do caso em Moscou. Porém, Moscou se recusou e afirmou que só se pronunciaria após receber uma amostra da substância que foi usada no envenenamento do ex-espião.

Em seu discurso à União, realizado no dia 1º de março, Putin falou de maneira recorrente sobre o "governo futuro" ou o "novo governo", tocando em questões domésticas e econômicas de maneira bastante ampla e sem muito aprofundamento.

A insistência da porta-voz na acusação de russofobia tem ressonância. Segundo previsões eleitorais, Putin deverá ser reeleito para a Presidência. Confrontado com as vantagens retóricas que a situação dá ao presidente, que busca elevar o máximo possível o comparecimento às urnas para legitimizar o pleito, ele aquiesceu, só para insistir que há um cerco contra o seu país. Pouco depois, o chanceler observou, porém, que a medidas tomadas pelo governo russo devem primeiro ser comunicadas ao governo britânico antes de se tornarem públicas.

O comunicado russo traz ainda um alerta de que, se "houver mais ações hostis em relação à Rússia, o lado russo reserva o direito de tomar outras medidas de retaliação".

Skripal vivia no Reino Unido desde 2010, quando foi solto após passar seis anos na cadeia por traição. O Kremlin nega qualquer envolvimento com a ação. Perdoado judicialmente, fez parte de uma troca de espiões entre Rússia e Estados Unidos chamada Programa Ilegal.

As agências de inteligência agora acreditam que o agente nervoso usado no par foi plantado na mala da filha antes de sair de Moscou, informou o Daily Telegraph no final da quinta-feira.

De acordo com Mirzayanov, "Novichok" é 10 vezes mais poderoso do que qualquer outro agente químico, e advertiu que no verão, quando as temperaturas são mais quentes, dois gramas seriam suficientes para matar 500 pessoas.

Este episódio reavivou a lembrança do que aconteceu com Alexander Litvinenko, um dissidente russo que morreu envenenado com polônio radioativo em um ataque no Reino Unido em 2006.


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