Moody's rebaixa a nota de Minas Gerais

"A Moody's acredita, em resumo, que os riscos negativos para o crescimento e as incertezas relacionadas ao ímpeto para reformas, que levaram à atribuição da perspectiva negativa para o rating Ba2 [dois graus abaixo do nível de investimento] em maio do ano passado, diminuíram", destacou o comunicado. Isso "representa um importante revés na agenda de reformas que mina a confiança de médio e longo prazo na trajetória da dívida pública e o compromisso político para abordar o problema". "A mudança imediata da perspectiva da nota se dá pela recuperação mais forte que a esperada". A agência diz esperar que "a economia brasileira sustente o crescimento da receita fiscal de estados e municípios".

A perspectiva da agência para a nota de crédito de São Paulo mudou de negativa para estável, assim como a de Minas Gerais.

Há pouco mais de um mês, a Moody's alertou que a desistência em votar a reforma da Previdência neste ano era ruim para a classificação de risco do Brasil.

"O Ministério da Fazenda reafirma seu comprometimento com a consolidação fiscal e com a recuperação da atividade econômica e do emprego", diz trecho de comunicado. A demora em aprovar o texto no início do próximo governo indicará "fraqueza institucional" e pode levar à revisão do rating, disse Maziad.

Na avaliação do economista da Tendências Consultoria Integrada Silvio Campos Neto, a decisão da Moody's surpreende por causa da incerteza política, mas faz sentido quando se analisa o quadro econômico do país. Já o ambiente de baixa inflação e de taxa de juros em queda "também terá impacto positivo nas contas fiscais e na dinâmica da dívida".

"Um aumento da demanda por crédito, na esteira da política monetária acomodatícia, e perspectivas sólidas no mercado de trabalho apoiarão a perspectiva econômica de curto prazo", afirmou a agência.

Para Agostini, a não aprovação da reforma da Previdência e a falta de melhora no cenário fiscal já são determinantes para o rebaixamento da nota do Brasil. A posição da Moody's vai na contramão da decisão tomada pelas agências Standard &Poor's e Fitch, que rebaixaram a nota do Brasil neste ano.


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