Netflix decide boicotar festival de Cannes após mudança de regras

Assim, no 71º Festival de Cannes, que será realizado entre os próximos dias 8 e 19 de maio, os filmes de plataformas audiovisuais como a Netflix só poderão estar presentes nas sessões fora de competição, exceto que sejam exibidas primeiro nos cinemas, algo que por enquanto não está nos seus planos.

Os filmes da Netflix que deveriam ser exibidos incluem "Roma", de Alfonso Cuarón, "Norway", de Paul Greengrass, "Hold the Dark", de Jeremy Saulnier e até "The Other Side of the Wind", filme inacabado de Orson Welles, que foi finalizado com investimento da plataforma.

"Em Cannes nunca teremos uma seleção baseada em uma discriminação positiva em relação às mulheres", afirmou o diretor geral do festival, Thierry Frémaux. "Não acho que seria bom para nós estarmos ali", afirmou Sarandos.

A informação foi dada por Ted Sarandos, o chefe de conteúdo da empresa, em uma entrevista para a Variety. Agora, nem isso: Ted Sarandos confirmou que a empresa se retirou completamente do evento.

"Queremos que os nossos filmes estejam em pé de igualdade com os demais".

Na última edição do festival de cinema, em 2017, a Netflix estreou dois filmes, que entrariam assim para a competição.

A lei francesa determina que após a estreia nos cinemas, um filme deve aguardar quatro meses para ser lançado em DVD ou no sistema OnDemand. Há um risco para nós em irmos desta maneira e em termos nossos filmes e cineastas tratados de maneira desrespeitosa no festival.

Este ano, a produtora e plataforma de 'streamming' Netflix decidiu não apresentar qualquer filme em Cannes, em resposta a uma nova regra imposta que proíbe a escolha de filmes que não tenham distribuição em sala no circuito francês.

Frémaux defendeu a colocação de Spielberg quando a notícia de que os filmes de streaming não concorrerão mais foi anunciada, e disse "o cinema triunfa em todos os lugares, mesmo nesta era de ouro do streaming". "Há uma diferença entre as mulheres cineastas e o movimento #MeToo", disse.

Cannes assinalará ainda os 50 anos de "2001: Odisseia no Espaço" e os 90 do nascimento do realizador Stanley Kubrick, com a estreia de uma cópia de 70 mm, numa que será apresentada por Christopher Nolan.


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