Amnistia pede prioridade para investigação ao assassínio de Marielle Franco

Os brutais assassinatos da socióloga e ex-vereadora do PSOL-RJ, Marielle Franco, e do motorista Anderson Gomes completam 30 dias nesta sexta-feira (13), sem que ninguém tenha sido preso ou, sequer, algum suspeito fosse indiciado. "Um mês depois do assassinato da Marielle Franco, a gente não teve ainda uma resposta de Estado sobre quem matou Marielle, quem mandou matar Marielle. Cada dia que este caso segue sem ser resolvido se agravam o risco e a incerteza em torno dos defensores e defensoras dos direitos humanos", afirmou Jurema Werneck, diretora-executiva da AI no Brasil.

"O Estado deve garantir que o caso seja devidamente investigado e que tanto aqueles que efetuaram os disparos quanto aqueles que foram os autores intelectuais deste homicídio sejam identificados". A natureza dos tiros e o relato do envolvimento dos atacantes em dois veículos indicam que foi um assassínio cuidadosamente planeado, realizado por pessoal com treino.

Marielle e seu motorista, Anderson Gomes, foram mortos a tiros no bairro da Estácio, na região central do Rio de Janeiro, após ela participar de um debate público na noite de 14 de março.

"Grande parte dos homicídios de defensores de direitos humanos não são investigados, não são responsabilizados e essa impunidade nos casos de homicídios de defensores de direitos humanos acaba gerando um processo de ampliação do medo, um processo de silenciamento, de desmobilização e a gente não pode deixar isso acontecer", afirmou Nader.

Em nota, a Anistia internacional exige "investigação imediata, completa, imparcial e independente que não apenas identifique os atiradores, mas também os autores intelectuais do crime". Segundo eles, só no ano passado, 58 defensores foram assassinados. "Tais crimes desencorajam a mobilização, alimentam o medo e o silêncio na sociedade", avalia a entidade.

"O assassinato de uma vereadora, defensora de direitos humanos, ativista dos movimentos LGBTI e das favelas, negra e lésbica tem, claramente, a intenção de silenciar sua voz e de gerar medo e insegurança". Mas vamos continuar levantando nossas vozes. "Eles tentaram calar-nos, mas nós mostrámos que não estamos com medo", disse.

Investigações O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse ao longo desta semana que as investigações relacionadas ao caso "estão se afunilando", mas não detalhou nada além em decorrência do segrego judicial do caso.


Popular

CONNECT