Vereador e miliciano podem estar envolvidos no assassinato — Marielle

Segundo a testemunha, a vereadora passou a apoiar os moradores da Cidade de Deus e comprou briga com o ex-PM e o vereador, que tem uma parte do seu reduto eleitoral na região. As conversas entre Orlando e Siciliano teriam começado em junho de 2017 e a testemunha ainda teria participado de algumas reuniões. Além de mencionar datas, horários e até supostos locais de reuniões entre os dois homens que acusou, adiantou os nomes das quatro pessoas que teriam sido escolhidas para matar a vereadora. Carlos Alexandre foi encontrado morto na Estrada Curumau, em Jacarepaguá, na Zona Oeste, e Anderson foi morto na Praça Miguel Osório, no Recreio dos Bandeirantes. "O vereador falou bem alto: 'Tem que ver a situação da Marielle. A mulher está me atrapalhando". Depois, bateu forte na mesa e gritou 'Marielle, piranha do Freixo'.

Siciliano teria olhado para o ex-PM e dito: "Precisamos resolver isso logo!".

Marcelo Freixo comandou a CPI das Milícias na Assembleia Legislativa do Rio, há dez anos. Ele tinha dois mandados de prisão, e, em outubro, acabou sendo preso numa operação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core).O delator afirmou que o vereador e o ex-PM têm negócios em conjunto na Zona Oeste.

A motivação seria o avanço das ações da vereadora em comunidades que era de interesse da milícia, na zona oeste do Rio de Janeiro. A testemunha afirmou que um mês antes do crime, o ex-policial deu a ordem para o assassinato de dentro da cela de Bangu 9.


Um dos carros envolvidos na ação foi visto circulando antes do crime próximo ao campo de futebol na comunidade da Merk, controlada pelo ex-policial militar. Depois, um homem identificado como Thiago Macaco foi encarregado de fazer o levantamento dos hábitos da vereadora e todos os trajetos que Marielle usava ao sair da Câmara de Vereadores.

Ao "Globo", o vereador Siciliano disse que não conhece o ex-PM preso e disse que a notícia é "totalmente mentirosa".

O jornal O Globo revelou, nesta terça-feira (8), que teve acesso a três depoimentos de uma testemunha que procurou a Divisão de Homicídios da Polícia Civil para dar detalhes sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada junto com seu motorista em março. Ele já prestou depoimento no caso na condição de testemunha.


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