Greve dos médicos: Terceiro dia regista adesão global superior a 85%

Logo num primeiro balanço feito pela manhã, a perspectiva era promissora relativamente aos objectivos dos sindicatos que convocaram a greve, com os blocos operatórios dos principais hospitais do país encerrados e as consultas externas canceladas.

João Proença, da Federação Nacional dos Médicos, diz ser "importante que o Governo perceba que é preciso arrepiar caminho, ou o Governo muda de atitude ou o estado social está posto em causa".

Nas consultas externas hospitalares a adesão era de 75%, de acordo com as mesmas fontes, enquanto nos cuidados primários chegava aos 85%.

Em declarações aos jornalistas, o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Jorge Roque da Cunha, afirmou que os primeiros dados de adesão à greve vão no sentido do que os sindicatos previam e demonstram - "o grande descontentamento que existe entre os médicos".

Por seu lado, o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) acusou o ministro da Saúde de "fugir da realidade" e das negociações com os sindicatos e pediu-lhe que "não seja Centeno", referindo-se ao ministro das Finanças, Mário Centeno.

O responsável sindical fez questão de saudar os médicos que "participaram na jornada" e de recordar que os "120 milhões de euros", gastos nas empresas de trabalho temporário, deveriam ser aplicados em hospitais ou centros de saúde.


A reivindicação essencial para esta greve de três dias é "a defesa do SNS" e o respeito pela dignidade da profissão médica, segundo os dois sindicatos que convocaram a paralisação.

A greve nacional de médicos teve início às 00:01 de terça-feira e termina às 23:59 de quinta-feira, uma paralisação que os sindicatos consideram ser pela "defesa do Serviço Nacional de Saúde".

Os sindicatos frisam ainda que "os médicos sem formação são médicos indiferenciados e sem especialidade médica, o que compromete a qualidade do SNS".

Os sindicatos reclamam a redução do trabalho suplementar, diminuição progressiva até 12 horas semanais de trabalho em urgência, bem como a diminuição gradual das listas de utentes dos clínicos de família de 1900 para 1500.

Entre os motivos da greve estão ainda a revisão das carreiras médicas e respetivas grelhas salariais, o descongelamento da progressão da carreira médica e a criação de um estatuto profissional de desgaste rápido e de risco e penosidade acrescidos, com a diminuição da idade da reforma.

Os portugueses que se dirigirem durante estes três dias às unidades de saúde só devem esperar ser atendidos nas urgências e nos serviços de quimioterapia, radioterapia, transplante, diálise, imuno-hemoterapia, cuidados paliativos em internamento, mas também na dispensa de medicamentos para uso hospitalar e punção folicular na procriação medicamente assistida.


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