Filho de Vladimir Herzog quer acesso a documentos da CIA

"A família Herzog vem a Vossa Senhoria solicitar manifestação do Ministério das Relações Exteriores solicitando ao governo norte-americano a liberação completa dos registros realizados pela Agência Central de Inteligência (CIA) que documentam a participação de agentes do Estado brasileiro em operações para torturarem ou assassinarem cidadãos brasileiros", diz o texto.

A decisão, informada pelo Itamaraty, atende a uma carta enviada por Ivo Herzog, responsável pelo Instituto Vladimir Herzog - fundado em memória ao pai de Ivo, o jornalista Vladimir Herzog, morto pelos militares após ser torturado -, que por sua vez veio após a revelação de que o ditador Ernesto Geisel sabia dos assassinatos de opositores.

A informação da assessoria do Itamaraty é que a embaixada brasileira em Washington já recebeu do ministro Aloysio Nunes as instruções pra pedir a liberação completa dos registros sobre o período da Ditadura Militar. O general Ernesto Geisel, então presidente do Brasil, autorizou a execução de opositores a partir dessa data, segundo documento da CIA. Leia a íntegra do ofício.

Na época, a morte foi divulgada pelo Exército como suicídio com a utilização de uma foto forjada.


Algumas das vítimas são o jornalista Vladimir Herzog, assassinado em 25 de outubro de 1975 após se apresentar ao Centro de Operações de Defesa Interna, órgão militar da ditadura; e o metalúrgico Manoel Fiel Filho, que foi torturado até a morte, em 17 de janeiro de 1976, no Destacamento de Operações de Informações (DOI) do II Exército, em São Paulo. O ministro de Segurança Pública, Raul Jungmann, minimizou o informe, afirmando apenas que as Forças Armadas manterão o seu prestígio junto à população. O Palácio do Planalto não se pronunciou oficialmente.

Ao comentar o documento confidencial do Serviço de Inteligência dos Estados Unidos, ela acrescentou: "Tudo isso é dolorido e ao mesmo tempo vergonhoso".

O memorando de 11 de abril de 1974, assinado pelo então diretor da CIA Willian Colby e endereçado ao secretário de Estado Henry Kissinger, afirma que Geisel orientou o então chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI), João Figueiredo (também presidente entre 1979 e 1985), que as execuções deveriam continuar, informou Agência Brasil.

A política tinha sido adotada durante o governo de Emílio Garrastazu Médici (1969-1974). Colby detalha que Geisel, ao assumir o poder, foi informado de que 104 pessoas haviam sido mortas no ano anterior. Geisel teria feito a ressalva de que os assassinatos só ocorressem em "casos excepcionais" e envolvendo "subversivos perigosos".


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